sexta-feira, 28 de julho de 2017

Jogar conversa fora

Por Giobert M. Gonçalves


Quando tudo está bem há uma sensação de quê? É engraçado como eu não me acomodo ao bem estar e tranquilidade, sempre preciso que algo esteja acontecendo, não que tenha que acontecer algo ruim, mas alguma coisa precisa acontecer para que eu possa pensar, refletir e buscar novas maneiras de lidar com a vida. Às vezes penso que eu gosto de pelo em ovo, mas não é isso... Eu tenho a mente inquieta e estou achando que sempre pode melhorar mais, mesmo quando não há algo que precise resolver.


Há alguns fins de semana atrás fui fazer uma trilha ao Bonete, Ilhabela. Catorze quilômetros de caminhada, cinco horas de andança. E no meio do caminho tinha uma pousada, no meio do nada. E tinha uma pessoa cuidando da pousada. Na minha cabeça, uma pessoa solitária. Eu até comentei com os meus amigos que eu não tinha paz de espírito suficiente para uma vida daquelas. Não que eu seja de frequentar shopping ouprecise frequentar baladas, mas amo pessoas! Papear, jogar conversa fora, tagarelar, nem me imagino num lugar sozinho, acabo virando aqueles loucos que conversam com planta e cachorro (coisa que já faço morando no meio da civilização). Mas enfim, será que a Cleib, dona da pousada, tem paz de espírito? Será que ela tem essa tranquilidade na alma e que tudo está bem? Ela mostrou a horta, a ideia que ela tem para preservar as mexericas fazendo pequenas mudas e vendendo para os bares da Ilhabela – se você não sabe, vou te contar: usar a folha da mexerica na caipirinha é algo delicioso. Mostrou seus cachorros e contou que estava sem luz já há alguns dias porque tinha quebrado uma peça do gerador. Vida pré-histórica! Definitivamente, o que eu procuro de paz é uma meditação de 45 minutos. Amo gente!
Isso é uma coisa que me intriga. Será que tem alguma relação com a minha inquietude? Ou é normal? Há pessoas que convivem muito bem com a sua introspecção ou consigo mesmas. Mas eu convivo bem comigo mesmo, sou capaz de passar o dia todo comigo, cuido do jardim, vejo séries na TV, tiro uma soneca, faço uma comida, entro no face e me conecto com o mundo rs. Está aí a verdade: a Cleib não tem internet! Então eu deixo uma pergunta para você que me lê: Somos capazes de tranquilidade? Ou temos formigas no pé?
Eu sempre levantei uma questão que acho muito importante: sou uma boa companhia para mim mesmo? Gosto dos meus pensamentos? É uma questão muito importante saber que a convivência comigo mesmo é prazerosa. Afinal eu vou conviver comigo a vida toda, não existe ficar de mal de mim, embora eu conheça muita gente que não se aguenta e liga a TV em casa só pra não se sentir sozinho. Mas você não está na sua companhia? Essa questão é bem resolvida comigo, gosto da minha companhia e me acho superinteligente, um bom papo. Não que eu saiba tudo da vida ou das coisas, mas se eu não sei algo vou pesquisar, pergunto. Mas me divirto comigo mesmo e as perguntas que sou capaz de formular. E gosto do Google! Ele me responde tudo! Tira todas as minhas dúvidas. Acho que o que mais me assustou foi a falta da internet lá na pousada da Cleib. Sem Google?
Mas voltando pra questão de tranquilidade e de que algo precisa acontecer, é como novela, filme que, se não houver drama, não há diversão. Acho que quando tudo está certo, a gente se acomoda e engorda. Não precisa fazer esforço! Será que o céu é assim tão bom? Qual o segredo? Penso que não quero ir para o céu, pelo menos aquele céu tranquilo com anjinhos tocando harpa. E você faz o quê? Então, se houver reencarnação, e enquanto houver reencarnação, quero nascer e renascer quantas vezes forem necessárias para que eu continue a fazer o que mais amo: resolver coisas, ter ideias, pensar, refletir e sim, ser melhor do que eu mesmo e tornar minha companhia cada vez mais agradável, com coisas para contar do que aprendi e do que vivi e, aí sim, tagarelar, conversar e falar. Com todas as pessoas. É o que eu amo.







Acho que entre o céu e o inferno, vou ficando por aqui.